Silvio demite, reduz equipes e desmonta jornalismo


Sem a menor cerimônia --o que lhe é peculiar-- Silvio Santos decidiu que não vai mais investir em jornalismo no SBT.
Meses atrás ele até chegou a ficar empolgado com os bons números de audiência
que os telejornais da casa vinham registrando, mas, pronto, já passou a fase.
Os últimos suspiros desse agonizante departamento do SBT foram a compra de câmeras de alta definição (com anos de atraso em relação à concorrência, diga-se) e o anúncio da renovação de contrato com Roberto Cabrini no começo desta semana.
Só que no exato instante em que a renovação de Cabrini era alardeada, o SBT promovia demissões em série nos últimos remanescentes do finado "SBT Notícias".
Cerca de cinco produtores (funcionários do tipo faz-tudo) foram demitidos segunda e terça.
Foram cortados também, dias antes, jornalistas e âncoras com décadas de casa, como Analice Nicolau e Karyn Bravo.
Coube ao repórter e eventual âncora João Fernandes ser o último a apresentar o "SBT Notícias", na semana passada.
Na segunda-feira, durante sua folga, Fernandes recebeu a ligação do RH da emissora avisando-o que também estava incluído no "pacote" de demissões.

E tem mais

A renovação de Rachel Sheherazade é cada vez mais improvável também. Aguerrida nas redes, ela atrai o ódio dos bolsonaristas. Muitos, inclusive, enviam e-mails ao SBT pedindo sua demissão (é o modus operandi do bolsonarismo contra a imprensa em geral).
O sufocamento do restante do jornalismo do restante do SBT é só mais uma questão de tempo. Nos corredores, brinca-se (nervosamente) que Cabrini e sua equipe serão os últimos a apagarem a luz do departamento.
Por outro lado, os empregos dos âncoras popularescos Dudu Camargo e Marcão do Povo, por enquanto, estão garantidos. Ao menos enquanto faturarem com "merchandising".
Mas, tudo tem um preço: ao jogar no fosso o nível do seu jornalismo, o SBT corre risco também de afugentar bons anunciantes. A esperança é compensar tudo com anúncios federais (RedeTV, Record e Band também estão esperançosas).
"Se for para criticar (governo) é melhor ficar quieto", Silvio costuma repetir aos chefes de redação sobre sua "posição" política. Mais claro, impossível.
Desde a eleição de Jair Bolsonaro, o comportamento de Silvio Santos, 88, não surpreende.
Ele, que sempre foi um "governista de carteirinha", desde os tempos da ditadura, não vai mudar depois de velho.

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