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Fernanda Montenegro: "Ter uma arma é um perigo duplo

Fernanda Montenegro, de 89 anos, foi um dos assuntos mais comentados na web no último fim de semana quando foi ao ar a cena
em que sua personagem Dulce, após atirar em Amadeu (Marcos Palmeira), matou vários membros da família Matheus, colocando fogo na casa deles, em A Dona do Pedaço. Em conversa com QUEM, a veterana da televisão brasileira falou sobre os bastidores do capítulo dramático e qual a sua opinião sobre o porte de arma no Brasil.

"Todo mundo comentou da cena dos tiros. Não foi fácil, porque era longa, fora das medidas de cenas de novela. Eram cinco ou seis páginas para você ter noção. Foi dentro de um movimento na cena, que aparentemente seria um encontro, mas diante de uma realidade assassina do oponente, a velhinha puxou um revólver e acabou com a raça dele, antes que ele acabasse com ela. De qualquer maneira, ela iria ser liquidada. Antes,
ela liquidou uma família inteira. Foi uma cena bem complexa. Mas tive bons colegas e toda uma presença técnica. Não é uma cena que se faz sozinha. A direção soube pegar a hora certa. Mas demorou uma noite inteira para gravá-la", conta.

Aproveitando o assunto da trama de Walcyr Carrasco, Fernanda falou sobre a liberação do porte de armas no país. De acordo com o novo Estatuto de Controle de Armas de Fogo, ele "assegura a todos os cidadãos que cumprirem os requisitos mínimos exigidos em lei o direito de possuir e portar armas de fogo para legítima defesa ou proteção do próprio patrimônio. Também reduz de 25 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas no país; estende o porte para outras autoridades, como deputados, senadores e agentes de segurança socioeducativos; e retira os impedimentos para que pessoas que respondam a inquérito policial ou a processo criminal possam comprar ou portar arma de fogo".

"Ter uma arma é um perigo duplo. Para você a ter, primeiro, vai ter que aprender a usar. Se é um momento que coloca-se a Educação em segundo plano, como é que você traz para primeiro o porte de arma, que de qualquer maneira exigiria também um aprendizado em cima do gatilho. Acho que é melhor pensar na Educação, na Cultura, no saneamento básico, do que começar a gritar que todo mundo tem que ter uma arma qualquer. É uma aberração de proposta. Não prestigiar a Educação, não prestigiar a Cultura, não dar conta de um saneamento básico, que com um atendimento real, o povo passa a ter mais saúde. E vai se perder tempo com arma. É lamentável", declara.

No Prêmio APTR de Teatro, nesta terça-feira (28), no Rio de Janeiro, a estrela reforçou a importância da valorização da arte. "APTR é talvez o último reduto de credibilidade e reconhecimento ao trabalho artísitico de gente que tem como arte o teatro mesmo. Dentro da cultura geral de um país, talvez, o teatro seja de imediato o que melhor se reconhece o que está acontecendo nele. Um país sem teatro é um país que não existe como nação. É um campo de resistência", conclui.

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