Paulo Rocha sobre redenção de Aranha em ‘O sétimo guardião’


Aranha (Paulo Rocha) é mesmo um homem de extremos. Por anos, escondeu de todos que era o estéril da família, o que culminou na crise de seu casamento com Stella (Vanessa Gipacomo), em “O
sétimo guardião”. Agora, para reconquistá-la, o médico decide ter um filho por inseminação artificial, usando doador anônimo. Como diz a música “Iluminados’’, de Ivan Lins: “o amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida...”.
— O erro de Aranha foi não ter acreditado que o amor de Stella fosse mais forte que a incapacidade dele de ter um filho. Mas esse episódio o fez ver que sua felicidade é ao lado dela. Se querem ter um filho juntos, que venha de outra forma. Apesar de não ser dele geneticamente, ele vai amar, cuidar, formando a tão sonhada família — analisa Paulo.


Mirtes (Elizabeth Savalla), Aranha, (Paulo Rocha) e Stella (Vanessa Giácomo)
Mirtes (Elizabeth Savalla), Aranha, (Paulo Rocha) e Stella (Vanessa Giácomo) Foto: VICTORPOLLAK

Mesmo orgulhoso com a redenção do personagem, cuja atitude faz com que Stella volte para casa, o ator não passa a mão na cabeça do médico.
— É inexplicável que Aranha tenha tido coragem para fazer isso (deixar a mulher acreditar que ela era a estéril). Não consigo encaixar essa atitude dentro da minha forma de pensar. É uma crueldade grande, com todas as atenuantes que ele possa ter buscado para tentar justificar — afirma o artista.
Fato é que o desconforto do doutor de Serro Azul em revelar seu segredo passava pelo temor de decepcionar Mirtes (Elizabeth Savala), até então seu exemplo de perfeição.
— Uma das coisas que ancorava esse medo era a imagem perfeita que tinha da mãe. Só que esse conceito desmoronou e o fez aceitar as suas imperfeições. Primeiro, veio sua própria redenção: ele pode ter defeitos também e buscar de volta o amor da mulher, apresentando-se, desta vez, como um homem falho. Acho que quando a pessoa assume as próprias falhas e limitações, a probabilidade de se dar bem e ser feliz é maior. Esse é o movimento de Aranha — diz Paulo.
Aos 41 anos, o ator português que está há oito no Brasil vê no médico a chance de passar uma mensagem realista.
— Apesar de termos boas intenções, às vezes, somos falhos e as nossas falhas provocam dor. Mas a gente tem essa potência de se redimir genuinamente. É bonito fazer um personagem restaurador — orgulha-se ele, casado com Juliana Pereira, de 33 anos, e pai de José Francisco, de apenas 10 meses.
Paulo, aliás, não esconde a animação por interpretar um papel transformador na mesma época da chegada do filho.
— Não sei se é caso de sincronicidade, mas Aranha chegou na hora certa, uma coincidência interessante ele trazer esses questionamentos bem agora — acredita o ator, que vê na paternidade um fenômeno interessante: — Leva a gente para além do racional. A natureza é sábia, nos altera muito bem. Medos que a gente tinha antes de ser pai, inseguranças... Quando o filho está nos seus braços, isso dá lugar a resoluções, a um ímpeto... A vida ganha sentido prático, mais pungente.

Nenhum comentário